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Hoje é palavra de ordem a questão ambiental. Todos falam, muitos opinam, mas poucos estão conscientes, esta é a verdade. Cheguei a esta conclusão a partir das opiniões que escuto. É muito grande o número de pessoas que afirma: é verdade que o problema existe, mas há muito exagero. Pessoalmente acredito que ainda se fala muito pouco e as ações ainda são pontuais.

A opção ainda é pelo desenvolvimento a qualquer preço. Na ânsia de resolver as questões econômicas, que são graves, as pessoas acreditam que a solução é o desenvolvimento.

A meta das empresas é crescer, aumentar as vendas, se possível “enxugando” o quadro de pessoal. Ou seja, enquanto a população do mundo aumenta, as empresas querem vender mais, empregando menos. No meu pouco conhecimento sobre a matemática, esta é uma equação que não fecha. As empresas querem o crescimento das vendas, aumentar os lucros e o número de clientes, mas o que vemos aumentar mesmo, é uma população carente que não tem dinheiro, nem para comprar comida.

A miséria humana também é parte das questões ambientais e, a meu ver, o contingente populacional humano, existente no mundo é um fator preocupante. Ao final da Segunda Guerra, quando da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), os países participantes daquela reunião histórica concordaram que a paz dependia da harmonia entre os povos e, que esta, só poderia ser conseguida através da diminuição das desigualdades existentes no planeta. De lá para cá pouco mudou.

No início do século XX, a população mundial contava dois bilhões de habitantes; segundo a ONU, antes daquele século terminar, ultrapassamos a marca dos seis bilhões de habitantes, dos quais mais de dois bilhões abaixo da linha de pobreza. A projeção é chegarmos ao incrível número de nove bilhões de habitantes no ano de 2050.

Estas pessoas devem comer. A agricultura, que promoveu um “verdadeiro milagre” na segunda metade século XX, para continuar crescendo, precisa de mais terra – mais transtorno para o meio ambiente. As florestas, que regulam o sistema de chuvas, continuam a ser derrubadas.

Nem todos sabem que o norte da África se transformou em deserto há cerca de 7 mil anos, apenas. A região da antiga Mesopotâmia, atual Iraque, também foi desertificada.

Se o Brasil possui hoje a maior reserva de água doce do planeta, nada nos garante que esta situação vai continuar por muito tempo. O Aquífero Guarani que contém uma quantidade imensa de água mineral, após poucos anos de uso, cada vez mais freqüente, já tem seu volume diminuído.

É verdade que já havia uma tendência natural para mudanças no planeta, afinal ele é um organismo vivo, dinâmico e não estático, cristalizado.

As notícias de alerta, que acendem o sinal vermelho, são muitas. Os tsunamis na Ásia estão cada vez mais freqüentes; as camadas de gelo nas calotas polares diminuem a uma velocidade cada vez maior; no sul do país estão ocorrendo furacões, o que era impensável há muito pouco tempo; as mudanças do regime de chuvas, a diminuição da camada de ozônio, as questões ligadas ao lixo, cada vez mais volumoso, são questões que não podemos deixar de levar em consideração.

Esta semana vimos uma notícia publicada na internet que demonstra o quanto a situação é crítica: na Jordânia, próximo à capital Amã, aconteceu um repentino aumento de temperatura que chegou a 400 graus centígrados. Não errei no número não, é isso mesmo – 400 graus Celsius. A causa ainda está sendo investigada, mas o fenômeno ocorreu quando algumas ovelhas, que pastavam na região da província de Balga, ao entrarem no terreno, enquanto pastavam, “foram completamente queimadas e desapareceram”.

Estes são apenas alguns pontos. Muito mais coisa poderia ser levantada. E ainda se diz que a questão ambiental não é séria?

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UM CAMINHO PERIGOSO…

Esta semana algumas notícias me chamaram a atenção e me deixaram preocupada com o rumo que nosso país está tomando.

A primeira delas foi da internet, e diz o seguinte:

PARIS (AFP) – O cineasta franco-polonês Roman Polanski, de 76 anos, "rejeitou a demanda de extradição da qual é objeto por parte dos Estados Unidos", depois de sua detenção na Suíça por uma acusação de estupro há 30 anos, afirmou o advogado do diretor, Hervé Temime, em um comunicado.

Buscado pela justiça americana desde 1977 por ter mantido "relações sexuais ilegais" com uma adolescente de 13 anos, o diretor de "O Pianista", que lhe rendeu o Oscar de diretor em 2002, pode ser extraditado para os Estados Unidos nos próximos 40 dias.

O cineasta passou duas noites na prisão depois de ter sido detido no sábado à noite ao desembarcar em Zurique, onde receberia no domingo um prêmio pelo conjunto da obra no festival de cinema da cidade.

A segunda veio do programa Fantástico da Rede Globo. E apresentou a seguinte manchete:

27/09/2009 – 12:00

PROGRESSÃO DE PENA BENEFICIA CONDENADOS POR CRIMES HEDIONDOS

Diz a notícia:

O benefício garantido por lei acaba devolvendo à sociedade condenados que voltam a cometer crimes em 80% dos casos.

Bandidos perigosos de todo o Brasil condenados pela Justiça estão soltos. Isso por causa de um benefício garantido em lei: a progressão de pena. Muitos deles, quando passam para o regime semiaberto, acabam fugindo. E pior: segundo o Ministério da Justiça, oito em cada dez beneficiados voltam a cometer crimes.

Um caso apresentado pelo programa, crime que tinha levado Edson Alves Delfino, de 29 anos, à prisão foi o estupro e assassinato de outro menino de 8 anos, no interior do Mato Grosso. Condenado a 46 anos, ele cumpriu 9 anos. Saiu beneficiado pela lei e voltou a cometer o mesmo crime. Devia ir para a cadeia quem fez a lei.

A terceira matéria foi publicada na revista Veja e fala do crime cometido pelo jornalista Pimenta Neves. A manchete é forte: QUASE UMA DÉCADA DE IMPUNIDADE. O jornalista que trabalhava no jornal O Estado de São Paulo, matou a namorada porque ela não queria mais ficar com ele. Segundo a revista, ele é réu confesso, julgado e condenado em primeira e segunda instâncias, e está solto. “Pior que isso: as chances de que ele nunca vá para a cadeia – ou de que, ao final de tudo, venha a passar não mais do que um ano e onze meses lá – são escandalosamente reais”.

Gostaria de compartilhar com vocês minha angústia. Criminosos, desonestos, imorais, antiéticos, existem em toda parte. Não é privilégio do Brasil. Acontece que lá a polícia e a justiça funcionam.

Roman Polanski é um homem rico e famoso; para a polícia americana, é apenas, um fugitivo, que deve e tem que pagar. Lembro-me bem que, em 2002, quando ganhou o Oscar, não foi receber o prêmio. Se nos Estados Unidos ele é um criminoso em débito, no Brasil seria recebido como herói. Ou receberia as benesses do governo brasileiro, como recebeu o italiano Baptisti, protegido pelo Ministério da Justiça brasileiro. Poderia ter até uma desculpa… já faz tanto tempo…

Não sei se podemos dizer que um crime é maior que outro. Crime é crime. Mas, como sou leiga no assunto, me permito dizer que o crime de Polanski, manter relações com uma menor de 13 anos, é menor do que o de Pimenta Neves, que matou a namorada, sem dar-lhe a menor chance. Em nosso país, dependendo do político, o crime do cineasta poderia até ser contado como vantagem – “o homem é macho!” A culpa é da menina.

Acredito que o político é reflexo do povo e não um ET que cai de outro planeta; o político é eleito pelo povo e, mesmo tendo sido julgado culpado, em alguns casos, a amnésia generalizada, atua para que tudo seja esquecido e o mesmo volte a se eleger.

Sinto vergonha do que tem acontecido no Senado, no Parlamento, na proteção do Governo Federal aos bandidos internacionais, nas leis que são promulgadas beneficiando bandidos, deixando o cidadão, que trabalha e paga impostos, desprotegido.

O que dizer aos meus alunos sobre a importância de ser ÉTICO?

A DOR DE UMA SAUDADE

Para a pequena Luiza

Minha neta Luiza, que está com 11 anos, viajou para São Paulo no domingo, para passar o feriado com o pai. Falando com Tina, minha filha, que mora em Salvador, ela me disse que o avião de Luiza faria escala em Ilhéus. No horário certo, lá fui eu para o aeroporto, com um discurso pronto, para sensibilizar os funcionários da Tam para conseguir encontrar com aquela pessoinha tão importante para mim. Creio eu que, estas coisas, só avó faz. Lá chegando, que decepção! Não tinha nenhum vôo chegando de Salvador. Pego o celular, sem dúvida alguma, uma das maiores invenções do mundo moderno, e ligo para Tina. Dá para alguém, em sã consciência, entender estes acontecimentos? Será que a protagonista de uma cena destas é uma pessoa normal?

Depois que fiquei sabendo o número do vôo, obtive a informação de que o mesmo desce em Comandatuba. Saí de lá, como dizia meu amigo Guilherme Castro Lima, “com cara de cachorro quando quebra prato”. Ainda não entendo muito bem este ditado, mas, foi assim que me senti.

E eu olhava para o céu. E buscava alguma coisa, um ponto no azul, onde eu pudesse imaginar que minha pequena estivesse. O dia passou, eu atarefada com o livro do abrigo (ainda não vou contar para vocês do que se trata) e o “fazer” afasta de nós as tristezas, as angústias, a saudade. Na segunda-feira, estou no computador trabalhando, quando Luiza entra no MSN, outra grande invenção do mundo moderno, me chamando. Conversamos, tive notícias suas e fiquei sabendo que ela voltaria na quarta-feira para Salvador. Esta informação foi suficiente para me deixar ligada, esperando a noite para saber notícias dela.

Às dezoito e trinta fui para uma reunião na Faculdade de Ilhéus. Tenho o hábito, desde que moro nesta cidade, de olhar para a pista em busca de algum avião. Muitas vezes parei para ver um avião descer ou subir. Parece coisa de tabaréu, mas não tenho vergonha de dizer que os aviões exercem um enorme fascínio sobre mim. Naquele momento, o avião da Gol, que ia para Salvador, estava se dirigindo para o lado da pista que fica próxima ao rio para levantar vôo. Tive até vontade de parar, já que a decolagem era iminente, mas não o fiz, estava atrasada.

Quando voltei da Faculdade liguei para Tina. “E aí? Luiza já chegou?” A resposta que recebi me causou tanto impacto, que nem consigo entender a causa. Tina disse que ela havia acabado de chegar, ainda estavam no aeroporto. E ela havia voltado, não na Tam, mas no avião da Gol que desceu em Ilhéus.

“Eu vi o avião!” E eu já revi a cena centenas de vezes, gravada em meu cérebro. O avião se dirigindo para a cabeceira da pista, devagarzinho. E eu não sabia que, naquele momento, ele levava meu tesouro. E eu via e revia minha menina lá dentro. As pessoas mais próximas me perguntavam se eu estava triste, porque estava calada; eu não dizia nada. Eu apenas trabalhava. Escrevia, escrevia e escrevia. Cada dia que passa gosto mais de escrever, é como se eu passasse minha alma para o papel.

Quanto a estas minhas crônicas de sábado, cada uma representa um pequeno parto, a cada semana. É sofrido, é retirado de muito de dentro. Fui para a academia fazer ginástica, pensando no que escreveria hoje. Enquanto estava lá, repuxando os músculos, ora o bíceps, ora o tríceps, um avião decolou. Toda a cena do dia anterior, o avião lentamente se dirigindo para a decolagem, e Luiza lá dentro, vieram em minha memória. E com ela, a crônica. Lágrimas saltaram dos meus olhos e uma saudade imensa tomou conta do meu coração. Saudade da minha infância, dos meus avós, dos meus tios, do tempo em que minhas filhas eram crianças, de não ter visto minha neta crescer, do tempo em que meu pai estava aqui; das nossas conversas, das coisas que ficaram por dizer, de outras pessoas que foram importantes em minha vida, dos que estão longe e dos que já partiram.

E eu me lembrei de um livro muito lindo que fez parte da minha adolescência, mas que eu nunca esqueci – O Pequeno Príncipe… Nele Saint-Exupèry fala da relação do piloto com o menino. “Tu explicarás então: as estrelas, elas sempre me fazem rir”. Lembrei-me desta frase. E eu diria, é… os aviões, eles sempre me fazem chorar.

(Escrita em 03/05/2007)

COMEÇAR DE NOVO

No início da década de oitenta, quando a cantora Simone lançou uma bela música de Gonzaguinha, cujo título é Começar de Novo, disse aos meus amigos que a música havia sido escrita para mim. Estava saindo de um casamento fracassado e, depois de dez anos sem estudar, me formara em Filosofia pela antiga FESPI. Estava começando uma vida nova, cujo trajeto eu não tinha a menor idéia de como seria.

Vinte e cinco anos se passaram e, de vez em quando tenho que mudar o rumo de minha vida e volta a mesma sensação de que devo começar tudo de novo. Às vezes dá um enorme cansaço, uma sensação desagradável de que não vou chegar a lugar nenhum. Mas é um sentimento momentâneo e passageiro. Recomeçar é, também, algo que me dá enorme satisfação, é a sensação de que renovando a trajetória, renovo também a vida, é como se meu destino fosse “Shangri-lá”, o lugar onde não se envelhece nunca.

Depois que me tornei professora, passei a lecionar, mas fiz muitas outras coisas em minha vida; tive um restaurante, plantei cacau, viajei e me diverti muito. Aprendi a viver caminhando por muitos lugares e, também, passando por muitas dificuldades. Aprendi que “o caminho quem faz é o caminhante, ao caminhar”.

Como estudar e aprender sempre foi o meu destino, fiz especialização em História Regional e realizei, nos primeiros anos da década de noventa, um grande sonho: publicar um livro. Este sonho que foi sonhado, pela primeira vez, aos sete anos de idade, enfim pode ser realizado. Ao primeiro, veio se juntar, um ano depois, o segundo e não parei mais de escrever. Entendi o que disse Jorge Amado: “se você não sente compulsão de estar sempre escrevendo, você não é um escritor”.

Caminhei por muitos caminhos, mas, de vez em quando, vinha aquela mesma sensação de que era preciso começar de novo. A estrada que eu estava trilhando chegava a um ponto final.

Os últimos quatro anos foram muito ricos para minha vida profissional. Lancei mais dois livros e mais duas edições do Passeio Histórico, que já está na quarta edição. Convidada pelo prefeito Jabes Ribeiro para ocupar o cargo de Coordenadora Cultural da Fundação Cultural de Ilhéus, sem ter uma carreira política, me vi de repente, alçada ao seu cargo maior, quando, da saída do escritor Hélio Pólvora, me tornei, por um ano e meio dirigente da cultura de Ilhéus, o que muito me honrou. Paralelamente, enquanto tudo isso acontecia, me aposentei do magistério no Instituto de Ensino Eusínio Lavigne e concluí o Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente.

Em setembro de 2003, quando foi lançado o caderno Cultura e Lazer, do Diário de Ilhéus, lá estava eu escrevendo o que mais gosto de escrever, as minhas crônicas e, em todas as edições deste caderno, estive presente, dando minha contribuição e este é um compromisso do qual não abro mão.

Pois bem, 2004 chegou ao fim; e com ele momentos importantes da minha vida. A sensação não foi das melhores, foi como se a cortina tivesse fechado e o espetáculo tivesse terminado. Para falar a verdade é uma sensação muito ruim. Quando o trem parou na estação, e todos tivemos que descer para ceder o lugar para outros, olhei para os lados e disse para mim mesma: “ficar parada na estação não combina comigo”. Peguei minhas coisas (diga-se meu currículo) e tentei subir em outros vagões para seguir minha viagem. O vagão da UESC estava completo, não havia lugar para mim. O da FTC e da Faculdade Madre Thaís estava com as portas fechadas e nem obtive resposta. A sensação de sentir que não há lugar para você no mercado de trabalho é das piores que alguém pode sentir. Fico imaginando essas pessoas que não estão qualificadas e se encontram desempregadas, a angústia que devem sentir.

Mas a sensação não dura muito tempo, pois já fui suficientemente testada para afirmar que não tenho nenhuma tendência para a depressão. Estou mais para “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Com isso, o que estou fazendo neste ano de 2005? Podem acreditar que estou entusiasmada com minhas novas atividades.

Como sou prevenida e sabia aonde o caminho ia chegar, ao receber um convite para ensinar na Montenegro, ainda no mês de setembro do ano passado, aceitei sem pestanejar. Em janeiro, ao ser convidada pela professora Gildelina Reis para ensinar no colégio Status, também aceitei, pois sei que a sala de aula, com certeza é o meu lugar. Mas era muito pouco para uma cabeça cheia de idéias e de uma enorme vontade de saber que faz algo para construir o mundo.

Foi quando, em fevereiro, ao ler em um jornal que dois amigos, Zecarlinhos e Valério Magalhães iriam cursar jornalismo na FTC, pensei com meus botões: puxa vida, por que não pensei nisso antes? Corri para a faculdade e consegui uma vaga como aluna especial. Enquanto a coisa se processava, pensei muitas vezes que estaria cometendo uma loucura. Afinal, eu não havia afirmado, tantas vezes, que a gente só deve caminhar para a frente? Não seria mais interessante partir para o doutorado?

Enquanto aguardo uma oportunidade para ingressar no doutorado, vou caminhando para Itabuna, feliz da vida, me sentindo renovada, adorando fazer as atividades, que não são poucas, e convivendo com novos acadêmicos. Volta a sensação de ter que começar de novo. E se é assim que deve ser, assim será.

Ah! Já ia me esquecendo! Estou realizando também um outro grande desejo, o de fazer um programa de rádio, onde converso com o público ouvinte da Rádio Santa Cruz AM, contando para eles a história da cidade que me recebeu de braços abertos, e falando do assunto que mais gosto de falar e pesquisar: história, patrimônio e cultura.

 

Escrita em 19 de janeiro de 2005.

MORAL E ÉTICA NO BRASIL

Um dia desses, quando saí para trabalhar, liguei o rádio do carro e Jonildo Glória entrevistava nosso bispo, D. Mauro. Falavam sobre moral e ética, quando se comentava os últimos acontecimentos na cúpula política brasileira. Acredito que a prática seja antiga e não acontece somente neste governo. Quando digo isto, não é para justificar, mas para fazer algumas reflexões sobre o assunto.

O que é mesmo Moral? E Ética? Às vezes nos perdemos na busca dos conceitos e não sabemos definir bem o que é uma coisa ou outra.

A Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, é a ciência, de uma forma específica, do comportamento humano. Os problemas éticos se caracterizam pela sua generalidade, os problemas morais se apresentam em situações concretas.

A história da moral se confunde com a história da sociedade humana. A moral surgiu quando o homem primitivo buscou uma melhor forma de convivência dentro do próprio grupo. Sua finalidade é criar harmonia na convivência. A ética estuda a forma de comportamento nas sociedades e defende as situações onde o bem estar da sociedade deve estar em primeiro lugar.

Muitas vezes quando vemos campanhas para ajuda humanitária, nos sentimos compelidos a participar, movido pela solidariedade; outras vezes, levados por um impulso incontrolável ou por uma emoção forte, fazemos algo que depois nos provoca vergonha, remorso, culpa e gostaríamos de voltar atrás; pessoas honestas e honradas, altruístas e caridosas, mesmo à custa de sacrifícios, despertam nossa admiração. Nosso sentimento e nossas ações exprimem nosso senso moral. A violência nos deixa horrorizados: chacinas, linchamentos, assassinatos, estupros, torturas, provoca em nós raiva e indignação, sentimentos que também expressam nosso senso moral.

Existem algumas situações que também nos deixam inquietos e contraditórios quanto à nossa opinião. São assuntos polêmicos como: a eutanásia, o aborto, um desempregado que aceita algo desonesto para ganhar dinheiro, um homem (ou mulher) casado ou comprometido que se apaixona por outra (o), uma criança maltrapilha que rouba para comer. Estas situações despertam nossa consciência moral. Senso moral e consciência moral referem-se a valores como justiça, honradez, espírito de sacrifício, integridade, generosidade, que por sua vez levam a determinados sentimentos como admiração, vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida, medo. Estes valores se reportam a um valor mais profundo (mesmo que apenas subentendido): O BOM ou O BEM. Os sentimentos e as ações, nascidos de uma opção entre o bom e o mau ou entre o bem e o mal, também estão referidos a algo mais profundo e subentendido: nosso desejo de afastar a dor e o sofrimento e de alcançar a felicidade.

    A pessoa não nasce ética, sua estruturação ética vai ocorrendo juntamente com seu desenvolvimento. O comportamento moral é aprendido na convivência com o grupo e está diretamente ligado aos costumes estabelecidos pelo grupo e à educação. Eis aí a grande questão: EDUCAÇÃO.

    O grotesco espetáculo que estamos assistindo nas telas de TV, nos passa problemas que tiveram início lá na infância, quando os pais, certamente não todos, não passaram para seus filhos valores éticos e morais, e estes, cresceram sem saber respeitar normas criadas pela própria sociedade. A grande arma utilizada pela turma do “óleo de peroba” é a mentira, a negação. Não existe aquela afirmação de que uma mentira, de tanto ser falada, acaba virando verdade?

O ser humano é mesmo um animal muito interessante. As pessoas se reúnem, discutem, criam regras e normas, aprovam leis, para depois transgredir tudo, como se dissessem que as leis existem para os que são bobos, pois os espertos fazem as coisas erradas e negam com a cara mais limpa do mundo e muita gente acaba se convencendo de que a mentira é a verdade.

    E as injustiças em nome da ética? E o homem inocente que o Fantástico mostrou no último domingo? Que permaneceu preso durante dezoito anos, que saiu de lá cego, porque a cega justiça não cuidou de seus direitos de cidadão pobre e desprotegido, abandonado pela sorte, pela família, por todos.

    Esses acontecimentos devem nos servir para alguma coisa, nem que seja o de reforçarmos nossas convicções morais e lutar pela preservação dos valores, ou quem sabe, liberar geral, jogar as regras no lixo e dizer que vale tudo. D. Mauro falou no Alerta Geral, algo muito sério. Acontecer toda essa sujeira em um país de grande maioria cristã nos deixa a todos envergonhados.

“Não basta sermos apenas morais, apegados a valores de tradição. Assim seríamos moralistas e tradicionalistas, fechados em nossos sistemas de valores. Ao sermos éticos somos abertos a valores que levam os seres humanos, à preservação da causa comum. Valores como respeito à dignidade, à defesa da vida, ao amor, à verdade, à misericórdia para com os sofredores e os indefesos. Valores como combate à corrupção, à violência e à guerra. Valores que nos tornam sensíveis com responsabilidade e seriedade” Valores que transformam o indivíduo em ser humano.

                                                                  (Crônica escrita em agosto de 2005)

A BAÍA DO PONTAL

Quando os integrantes da esquadra de Francisco Romero chegaram à baía do Pontal, entenderam que se tratava de um local privilegiado para fundar a vila-capital da Capitania dos Ilhéus. Perceberam que o local resguardado do mar aberto se constituía em um porto natural, ideal para a missão que vieram cumprir. Não estavam enganados, pois este belo acidente geográfico, além de sua beleza, possui atributos suficientes para ter representado um relevante suporte para a economia local.

Segundo a professora Maria Palma Andrade, no livro Ilhéus, Passado e Presente, quando os primeiros portugueses aqui chegaram, a baía não tinha essa forma atual, pois havia troncos de madeira e material trazido pelo rio, não sendo a baía tão bem delineada como hoje.

Durante todo o período colonial ela serviu de parada para os navegantes que passavam pela costa e necessitavam reabastecer seus barcos de víveres e água. Quando o cacau começou a produzir as primeiras sementes para exportação, foi pelo porto natural desta baía, que foi exportado. Por longo tempo, a exportação foi feita pelo porto de Salvador, mas para ir até lá, era na baía do Pontal que se iniciava a jornada das amêndoas, cujo destino era a Europa e os Estados Unidos.

A baía funcionava também como ponto de passagem para os barcos que subiam o rio Santana, para buscar a produção do engenho de açúcar, que iria abastecer os mercados da Europa, ainda no século XVI. E subiam o Cachoeira, no caminho do Banco da Vitória, levando passageiros e carga que tinham como destino Itabuna, Vitória da Conquista e todas as localidades que nasciam ao lado das fazendas de cacau, que começavam a produzir seus primeiros frutos.

Foi pela baía do Pontal que, em 1815, o príncipe naturalista alemão, Maximiliano de Wied-Neuvieud passou, quando da sua incursão para o interior da Mata Atlântica onde faria sua pesquisa sobre a flora e a fauna local; e também, em 1860, o Maximiliano de Habsburgo, quando veio visitar seus amigos europeus Henrique Berbert e Ferdinand von Steiger; por esta baía chegaram, ao longo dos anos, embarcações carregadas de mantimentos e toda sorte de artefatos, que eram trazidos para ser vendidos para os habitantes das terras do cacau, que se transformava em ouro, nas fazendas que se firmavam, e cujos proprietários mandavam buscar na distante Europa, para deleite de amigos e parentes.

Foi nesta Baía que os estrangeiros e nordestinos chegaram, atraídos pelo eldorado em que se transformou a região. Foi também por ela que, em 30 de janeiro de 1926, partiu o primeiro navio a inaugurar o porto, o cargueiro Falco, de bandeira sueca.

Nos primeiros anos do século XX, a baía do Pontal foi cenário de um intenso movimento de barcos e pequenos navios que chegavam, trazendo pessoas cheias de esperança, com a possibilidade de muito trabalho e de uma vida melhor. E foi ali que pousaram os hidroaviões que transportavam os exportadores e os homens ricos, antes da construção da pista de pouso, na década de quarenta. A luta pelo cais de atracação, que iria trazer para Ilhéus as divisas geradas pelo cacau, exportado até então, por Salvador, envolveu os capitalistas da época, cujo empenho foi fundamental para que a baía do Pontal abrigasse um importante porto internacional. A saga desta luta foi retratada por Jorge Amado no livro “Gabriela, cravo e canela” e foi em um desses navios que o menino Jorge, filho de um sergipano que aqui veio ter, partiu em busca de uma vida melhor. Primeiramente para estudar em Salvador, depois para conquistar o mundo.

Além de representar uma belíssima paisagem, a baía do Pontal foi cenário de muitos romances, de escritores que se tornaram importantes e conhecidos, como o já citado Jorge Amado e Adonias Filho, em Luanda Beira Bahia, dentre outros. Foi também o ponto de encontro da sociedade local, com a inauguração da ponte, na década de sessenta.

Foi ainda, motivo de alegria e orgulho, no lazer dos meninos que se divertiam atravessando, a nado, a distância que hoje já não representa o perigo de outros tempos; só os fortes e valentes ousavam cometer esta proeza.

Mas sua maior importância está em representar um dos mais belos exemplares do patrimônio natural desta cidade. Ela pertence a cada ilheense ou habitantes da cidade de São Jorge dos Ilhéus. Ela faz parte da vida de cada habitante da zona sul que caminha para lá e para cá em sua lida diária. E… convenhamos, é muito bonita!

Publicada no Diário de Ilhéus em 14.06.2008

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